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Amigos da Umbanda!!! Saravá aos Pretos Velhos e Pretas Velhas!!!!!!!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sobre a Certeza




— Márcia você me desculpe lhe falar mais uma vez amiga, mas é que eu realmente penso que você deveria ir comigo lá no terreiro.
— Bobagem Vera, isto é coisa de ignorante!
— Ignorante amiga? Então quer dizer que você julga-me como tal?
— Não Vera! Apenas digo que as pessoas que fazem parte destes centros são ignorantes.
— Os médiuns?
— Exatamente!
— Mas lá na corrente do terreiro que eu freqüento como assistência existem médicos, professores, entre outros.
— Então, eles são doutos na profissão que exercem, mas ignorantes por acreditarem em contos de fadas.
— Desculpe pela insistência minha amiga, mas é que eu estou muito preocupada com esta sua tontura que nenhum dos médicos que você visitou encontrou explicação plausível.
— Eu sei Vera, eu sei!
— Então amiga, o que lhe custa dar uma chance para que as entidades que militam na umbanda possam lhe auxiliar? Você não quer acabar com esta tontura?
— Puxa, já perdi as contas de quantas vezes você abordou este assunto comigo!!!
— Perdão! Eu não mais lhe aborrecerei!
— Não Vera, eu vou contigo! Está na hora de acabar com esta história de uma vez!
— Então você vai?
— Vou!
— Graças a Deus!
— Quando é a sessão?
— Hoje a noite, às 20;00 horas.
— Pode deixar que eu não faltarei.
Naquela sexta-feira à noite, precisamente às 20h45min, Márcia sentou-se em um toco para receber a consulta do caboclo Rompe-mato que disse-lhe:
— Salve Tupã filha!
Ao que ela respondeu:
— Salve!
— Este caboclo ignorante só gostaria de saber em que poderia auxiliá-la.
Márcia pensou: “ será que esta entidade sabe o que eu penso a respeito desta seita?”
— Religião filha!
— Como?
— A umbanda não é uma seita, é uma religião!
— Então você pode ler meus pensamentos?
— Posso ver somente aquilo que Tupã julgar que seja importante para auxiliá-la.
— Então por que você... caboclo Rompe-mato, não é isso?
— Exatamente!
— Por que você não me diz o que vim fazer aqui nesta noite? Será que Deus permitiria que você visse?
— Já vi!
— Viu?
— Você pode até não saber, mas veio até aqui para acabar com uma certeza dentro de você!
— Acho que você não viu direito!
— Filha eu não devo tentar convence-la de nada. Eu só posso dizer aquilo que a Lei me permita revelar.
— Mas de que certeza você está falando?
— Da mesma certeza que o vosso pai explicou-lhe aos cinco anos de idade!
— Meu falecido pai?
— Exatamente, lá no circo.
— Não me recordo.
— Filha você se lembra quando seu pai lhe explicou como é possível um animal robusto como o elefante ficar preso em um pequenino toco de madeira?
Os olhos de Márcia marejaram com as recordações do pai saudoso e ela respondeu ao caboclo:
— Lembro.
— Então, o seu pai lhe explicou que o elefante desde pequenino tem uma corda amarrada em seu corpo que o prende a um fortíssimo tronco de árvore, não foi?
— Exatamente!
— E como o elefante tenta inúmeras vezes se libertar daquela corda e não consegue um dia ele acaba desistindo de tentar fazer isto justamente por ter a certeza de que isto seria impossível.
— Meu Deus, mas como o senhor pode saber disto?
— Filha não precisa chamar-me de senhor, continue a tratar-me de você.
— Acho impressionante como o senhor pode saber de uma coisa tão antiga, entretanto devo lhe dizer que se enganou quanto ao motivo que me trouxe até aqui esta noite.
— Verdade filha?
— Sim. Vim até aqui por que estou com uma tontura terrível.
— A tontura é conseqüência e a certeza é a causa dela!
— Como é?
Uma certeza que você possui está provocando esta tontura.
— É incrível como o senhor consegue ver tão bem o meu passado, mas não enxerga o momento presente!
— Fale mais filha!
— Na verdade o meu esposo vem cobrando certa coisa há seis anos e eu tenho um medo muito grande de “quebrar a cara” com a decisão que eu tomar. Eu tenho medo e não certeza!
— Você não está indecisa pelo medo, mas devido à certeza!
— Certeza?
— É! Certeza de que vai “quebrar a cara” se concordar com o seu marido.
— E qual é a diferença?
— Aquele que tem medo procura se precaver e se preparar para depois escolher um caminho. Após a escolha ele até teme pelo pior, mas não tem receios de viver um dia após o outro. Já aquele que tem a certeza de que vai “quebrar a cara” acabará “quebrando-a” por que será incapaz de enxergar o aprendizado da caminhada em sua decisão.
— Nisto você tem razão.
— Você entende que é a certeza que a vem impedindo de agir tal qual um pequenino tronco de madeira que consegue prender o mais potente elefante?
Neste instante, ao misturar imagens do presente com recordações do seu saudoso pai, Márcia chorou um copioso pranto.
O caboclo Rompe-mato deixou que a tempestade passasse e somente quando chegou a bonança emotiva no coração de Márcia foi que ele disse:
— Toda escolha envolve perdas e ganhos: o importante é saber o que se quer perder e o que se deseja ganhar com uma determinada escolha.
— Você sabe de qual escolha eu estou falando, não sabe?
— Você, até sentar na frente deste caboclo, tinha a certeza de que engravidar iria acabar com a paz em sua vida. Agora, depois da conversa que estamos tendo, esta certeza já não está tão clara em seu coração.
— É verdade!!! Mas...
— Fale filha!
— Qual é a relação desta certeza com a tontura que venho sentindo?
— Filha, esta gravidez foi programa no plano espiritual antes de seu reencarne e este caboclo só pode dizer que é uma oportunidade que você vem esperando há muitas encarnações.
— É mesmo?
— Sim. E o seu espírito sabendo que a hora é chegada vem lhe fazendo recordar do compromisso assumido há tanto tempo.
— E isto vem causando a tontura?
— Não. A sua teimosia em não querer assumir o compromisso vem atraindo compainhas espirituais indesejadas e grande desequilíbrio energético para você.
— Nossa, caboclo Rompe-mato, eu não entendo muito do que você está falando, mas sinto a força da verdade em suas palavras dentro do meu coração!
— Que bom filha, pois este caboclo só pode lhe dizer o que Tupã permite que seja dito.
— Eu entendo!
— Reflita no que caboclo lhe disse e use o seu livre-arbítrio com sabedoria! Peça a Deus que lhe dê entendimento para discernir verdadeiramente o que é ganhar e o que é perder de acordo com as decisões que você tomar, entende?
— Sim senhor, mas...
— Solta língua seu filha!
— Será que o sonho que tenho desde criança, mas que vem se repetindo intensamente nos últimos seis meses, está relacionado com este meu compromisso pré-reencarnatório?
— Filha este caboclo, no momento, só está autorizado a lhe dizer que assim que o seu filho nascer este sonho não mais se repetirá.
— Sim senhor, obrigada por tudo!
— Não agradeça a este caboclo, agradeça a Tupã.
Dois anos depois deste atendimento Márcia senta-se com o seu filho na frente do caboclo Rompe-mato e lhe diz:
— Senhor caboclo eu vim aqui hoje por dois motivos, sendo que o primeiro é lhe agradecer pela vida do meu filho, Henrique.
— O caboclo cruzou a testa da criança, olhou para Márcia e disse sorrindo:
— O seu curumim é lindo, mas caboclo lembra de ter pedido a você que só agradecesse a Tupã, não é verdade?
— É verdade!
— Mas diga filha Márcia: qual foi o outro motivo que trouxe você para conversar com este caboclo?
— É que eu tenho uma dúvida que para esclarecê-la eu teria que lhe contar aquele sonho que eu tinha desde criança e que, como o senhor mesmo me disse, parou de ocorrer desde o nascimento do Henrique.
— Pode falar filha!
— É que em meu sonho eu me via como esposa de um governante de um dos povos do antigo império babilônico. Eu via também que estava grávida, mas que o filho não era do meu esposo e sim de um escravo de nossa residência que tinha o nome de Josias.
Caboclo Rompe-mato recordava junto com Márcia quando lhe disse:
— Prossiga filha!
— Bom daí, de uma forma que eu não sei dizer como, o meu marido descobriu este fato e chicoteou.....
O caboclo Rompe-mato prosseguiu:
... chicoteou o escravo até mata-lo.
— Isto! Mas o que mais me impressiona foram as palavras ditas pelo escravo antes de morrer e que foram: ........
O caboclo Rompe-mato prosseguiu:
— “...............não se preocupe , pois um dia eu a auxiliarei a trazer a criança de volta a vida”.
— Isto! Mas, como o senhor sabe?
— Continue a contar o sonho filha!
— Naquele momento eu não entendi o porquê do escravo haver dito aquelas palavras a mim; somente dois dias depois do seu óbito foi que descobri: meu marido obrigou-me a escolher entre ter a criança e ser vendida como escrava ou abortar e continuar como a amante dele. Visando apenas o meu conforto eu tive a certeza de que era melhor abortar, mas o meu marido, mesmo assim, vendeu-me como escrava, do resto não me lembro.
— E qual é a sua dúvida filha?
— É que o meu bebê, o Henrique aqui no meu colo, eu sinto como se ele fosse aquele escravo reencarnado, eu estou certa?
— Isto é coisa que caboclo Rompe-mato não está autorizado a dizer só o seu próprio coração.
— Então está bem, agradeço a Deus por tudo, mas também não tem como deixar de agradecê-lo!
E, com um esboço de sorriso no canto dos lábios, o caboclo disse a ela:
— Agradeça somente a Tupã filha! Este caboclo é só um espírito ignorante!
Márcia sorriu ao recordar-se do quanto era pedante e preconceituosa com as práticas umbandistas há dois anos até o momento que conversou pela primeira vez com o caboclo Rompe-mato.
O caboclo despediu-se de Márcia e ela bateu ritualisticamente a cabeça no gongá em reverência e agradecimento a Deus.
A cambone do caboclo Rompe-mato olhou para ele de forma quase suplicante ao solicitar:
— Posso falar com o senhor?
— Pode falar filha!
— É que eu gostaria muito de agradecer o aprendizado que obtive com o senhor neste atendimento: muitas vezes deixamos de agir, de optar, de escolher nem tanto por medo, mas pela certeza de que o caminho que escolhermos nos levará ao arrependimento. Jamais devemos agir com o intuito de errar, mas se errarmos devemos entender que isto só nos aproxima do jeito correto de se fazer as coisas.
— Caboclo está vendo que filha aprendeu mesmo, hein?
— Muitas vezes deixamos de agir não por medo de errar, mas pela prepotência de querermos sempre ser infalíveis e pela triste certeza de que é melhor não agir do que errarmos.
— Caboclo fica feliz com seu aprendizado, mas agradeça somente a Tupã por ele.
— Sabe senhor caboclo foi incrível, quase inacreditável, como o senhor sabia descrever com minúcias o multissecular sonho da Márcia.
— Multissecular?
— É por que, como o senhor sabe, o império babilônico existiu há muitos séculos.
— Entenda, filha cambone, que você não deveria se espantar com este caboclo por isto!
— Ah eu sei que não deveria mesmo, pois eu sei como o senhor é poderoso e..........
— ...............Filha cambone?
— Sim senhor caboclo?
— Nunca mais repita que este caboclo é poderoso!!!
— Desculpe!
— Este caboclo sabe que você exerce há pouco tempo a tarefa de cambonar, mas nunca se esqueça que só Tupã é poderoso aliás, Todo Poderoso!
— Sim senhor!
— Não precisa ficar assustada, porque caboclo não está brigando, mas tentando esclarecer você.
— Sim senhor!
— Caboclo sabia do sonho da filha Márcia não porque é poderoso, a justificativa é muito, mas muito mais simples!
— E o senhor poderia contar qual é?
— É que este caboclo é contemporâneo da época em que ocorreu a história contada pela filha Márcia e é por isso que tem conhecimento do sonho narrado por ela, entendeu?
— Sim senhor!
— Então, por caridade, vá chamar a próxima assistência para este caboclo atender por que a prática da caridade não pode parar, não é filha?
— É sim senhor! Deixa eu ir lá chamar a assistência!
E enquanto a cambone se afastava do caboclo ele agradecia intimamente a Deus pela oportunidade de ter auxiliado na tarefa que há muito aguardava.
A cambone trazia uma senhora de aproximadamente sessenta e cinco anos de idade que seria o próximo atendimento da entidade e, enquanto isto acontecia, o Caboclo Rompe-mato passou a recordar dos tempos em que fora líder religioso de um povo que posteriormente foi feito escravo pelos caldeus. Na religião que ele professava eram ensinadas as verdades sobre a reencarnação, mas também a existência em um único Deus.
Lembrou-se de que era casado e que, quando o seu povo foi feito escravo, o governante maior dos caldeus tomou a sua mulher para amante, sem saber que ela estava grávida do esposo há poucas semanas.
A entidade se recordava destes momentos referentes a esta encarnação com um profundo sentimento de respeito e gratidão ao Divino Criador pelo fato de tanto haver evoluído por meio do sofrimento, e, enquanto a próxima pessoa a ser assistida pela entidade sorria para ele e já se sentava no toco o caboclo Rompe-mato terminava de agradecer a Deus por todo o crescimento espiritual que adquirira quando fora a encarnação do escravo caldeu que possuía, nesta referida época, o nome de Josias.

Um Novo Mundo - Pai Joaquim de Aruanda


Todas as religiões afirmam que um 'novo mundo', uma nova era, nascerá no planeta Terra. Dizem, ainda, que este novo tempo será caracterizado através de uma transformação no planeta que trará paz, felicidade e harmonia para os seres humanizados.
As religiões cristãs afirmam que este 'novo tempo' surgirá quando Cristo voltar, outras falam em diversas mudanças que ocorrerão no planeta.No entanto, apesar da variedade de visões que determinam à chegada do 'novo mundo', todas as religiões são categóricas em afirmar que ela será marcada por fenômenos externos que promoverão a mudança do antigo para o novo.
No entanto, a partir do conhecimento do 'eu' interior de cada um, aprendemos que a paz, a harmonia e a felicidade formam um 'estado de espírito' e que a alteração deste não pode ser alcançada por uma mudança produzida pela alteração de fatores externos, mas apenas com a reforma do interior de cada um.
Os sentimentos com os quais o espírito encarnado vivencia os acontecimentos da vida carnal é decisão dele mesmo. Eles surgem diante de algum acontecimento de forma não padronizada, ou seja, cada um tem o direito de escolher o que quiser para sentir-se frente a cada momento da sua existência. Este é o livre arbítrio que Deus deu aos Seus filhos.
Desta forma, se o 'novo mundo' promoverá uma mudança sentimental na forma de viver dos seres humanizados (trocar o conflito pela paz; a guerra pela harmonia; o sofrimento pela felicidade), como ensinam todos os mestres, ele não poderá ser alcançado por fatores externos, mas apenas com a mudança interior de cada um.
Portanto, não será a 'volta' de Cristo que poderá trazer a paz para o planeta, mas isto acontecerá quando cada um alterar seu íntimo passando a vibrar (sentir) paz e não mais nutrir os sentimentos que geram conflitos. Não será com a retirada dos "ímpios" do planeta que a harmonia surgirá, mas quando cada um abandonar o desejo de guerrear com os seus irmãos para subjugá-los. A felicidade só chegará quando o ser humanizado optar por ela e não pela 'escolha' de sentimentos que tragam sofrimentos.
Mas, como deixar de guerrear ou sofrer? Como deixar de optar pelos sentimentos que levam o ser a viver num estado de beligerância com o próximo trazendo infelicidade para si e para os outros? Abandonando o
individualismo, o egoísmo, o querer para si mesmo. Somente quando o ser humanizado libertar-se da busca individual durante a encarnação poderá encontrar a paz, a harmonia e a felicidade para si.
O individualismo é o 'mal' da humanidade e precisa ser extirpado para que o ser humanizado volte a viver a sua essência espiritual fundido ao Todo (universalismo). Isso porque o egoísmo fere frontalmente o amor ensinado por Cristo (amar ao próximo como a si mesmo) e a máxima que caracteriza a caridade: 'dar ao outro o que deseja para si mesmo'.
Para que o individualismo exista, no entanto, é necessário que o ser humanizado possua 'paixões'. Só quando o espírito encarnado nutre uma 'paixão' (gosta de determinada coisa, acredita em determinada verdade) é que surge nele o desejo de satisfazer suas paixões (viver o que quer, o que gosta e repudiar o que não quer, o que não gosta).
As paixões do ser humanizado são caracterizadas por 'escalas dualistas' que geram as 'paixões positivas' (querer, gostar) e negativas (não querer, não gostar). Ou seja, o individualismo é motivado pelas escalas de 'bom' e 'mal', de 'certo' e 'errado', de 'bonito' e feio' que cada ser humanizado possui. É deles que surge o desejo (individualismo) de que o 'certo' aconteça e que o 'errado' não venha a acontecer.
Mas, porque o conhecimento de cada um sobre o 'bem' e o 'mal' acaba com a paz e a harmonia com o próximo que leva à felicidade de todos? Porque estes valores são individuais. O 'certo' e o 'errado', o 'bem' e o 'mal', o 'bonito' e o 'feio' são concepções individuais que cada um possui e quando se pretende impô-las ao próximo caracteriza-se o individualismo, o querer a 'verdade' para si em detrimento do desejo do próximo.
Portanto, para que a paz e a harmonia que levam à felicidade reinem sobre o planeta será necessário que cada um deixe de ter padrões de 'certo' e 'errado'. Abolindo-os o individualismo (egoísmo) não terá onde se fundamentar e, com isso, extingue-se. Por isso dissemos no início que o 'novo tempo' não poderá surgir a partir de fatores externos, mas apenas com uma reforma íntima: deixar de guiar-se pelos padrões de 'bom' e 'mal' e vivenciar o amor ao próximo como a si mesmo praticando a caridade (conferir aos outros os mesmos direitos que quer para si).
A paz e a harmonia que levam à felicidade com que almejam todos os seres humanizados jamais serão alcançadas com a submissão de outros seres, ou seja, com a mudança deles para o padrão individualizado de perfeição de outro. Somente o fim desta vigilância constante sobre as atitudes do próximo é que levará o ser a conseguir entrar na felicidade universal.
Os acontecimentos do mundo não se alterarão para que comece o novo mundo. Os "beligerantes", em todos os níveis, continuarão a existir, mas os outros seres lhes concederão o direito de agir da forma que quiserem, sem julgá-los ou criticá-los, buscando a felicidade universal para cumprir a lei de Deus. Será através da fé no Pai Justo, Inteligente e Amoroso que se eliminará o temor em transformar-se em vítima do conflito gerado por outros.
Este é o novo mundo: um mundo igual ao que existe hoje, mas visto com outros olhos, sentido com outros sentimentos.
Este nova forma de ver e sentir os acontecimentos, como já dito, é pessoal, ou seja, será alcançada por cada um ao seu tempo. Portanto, afirmo que não haverá uma mudança coletiva do dia para a noite na forma de sentir da totalidade da humanidade, mas, gradativamente, cada um se modificará promovendo a sua reforma e, desta forma, entrará no novo mundo.
Por este motivo, podemos entender que não existe um dia determinado onde o novo mundo se iniciará. Ele surgirá individualmente para cada um dentro de um espaço de tempo marcado por Deus para a reforma dos seres.
Portanto, meus amigos, não esperem que um novo dia comece como por um passe de mágica, pois isto não acontecerá. Esse dia só chegará para vocês quando tiverem conseguido a reforma íntima, quando não mais acreditarem e viverem os acontecimentos como fazem hoje, no 'tempo velho'.
O mundo novo onde reine a paz, a harmonia e a felicidade, não é um 'direito adquirido' do ser humanizado, mas trata-se de uma conquista, um merecimento. Apenas aqueles que promoverem a sua reforma íntima, abandonando a visão "ser humano", conseguirão adentrar neste reino.
Para participar dessa paz, felicidade e harmonia não existem horas nem dias certos: tudo dependerá do esforço de cada um. Existem seres humanizados que conseguiram alcançar o 'novo mundo' há muito tempo: São Francisco de Assis, Santo Agostinho e outros que, apesar de viverem uma existência humana no século passado, já vivenciaram suas 'vidas' dentro daquilo que ainda hoje esperamos: o 'novo mundo'.
Mais recentemente, Chico Xavier, irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá e tantos outros espíritos anônimos conseguiram viver a vida carnal sem que paz e harmonia interior fossem afetadas, alcançando, assim, a felicidade universal. Conseguiram isto vivendo no mesmo mundo, vivenciando os mesmos acontecimentos, que vocês.
As guerras, a miséria, a fome, os conflitos foram os mesmos que vocês viveram e vivem no mundo, ou seja, que lhes tiram a paz, harmonia e felicidade. Eles, porém, não perderam este estado de espírito. Portanto, você também pode realizar isso, sem que para tanto o 'mundo' precise alterar-se, que os acontecimentos atuais deixem de existir.
Mas, como fazer viver assim? Em que é preciso acreditar para poder entender o mundo como estes seres encarnados entenderam e alcançaram, assim, o 'novo mundo'?
Em primeiro lugar é preciso eliminar de vez com a auto visão 'ser humano' que cada um tem de si. Não existe ser humano, mas espírito encarnado. Portanto, somos todos espíritos, encarnados ou não, e não seres humanos.
Chico Xavier, Irmão Dulce e tantos outros sabiam que eram 'filhos de Deus' elementos universais. Eles não acreditavam que eram as personalidades transitórias que cada um vivencia durante a sua encarnação. Eles sabiam-se elementos eternos e universais e por isso não acreditavam no individualismo que lhes vinha à mente para compreender a vida (dar realidades a ela).
E por causa dessa visão que tinham de si mesmo, também não acreditavam na matéria, no mundo material. Eles compreendiam que, apesar de aparentemente viverem condições diferentes daquelas que chamamos espirituais (o corpo, os objetos, etc.) que tudo isso era apenas uma miragem do que é Real: o Universo.
Chico e tantos outros não acreditavam na vida material. Tinham a plena convicção de que tudo isso era uma pantomima criada ilusoriamente e que a Realidade (a vida espiritual) continuava a existir sempre. Por isso guiavam-se pelas máximas espirituais (amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, desejar para o próximo o que quer para si, etc.) ao invés de acreditar nos padrões humanos de satisfação.
Para eles, que viveram o 'novo mundo' no mesmo 'lugar' onde outros viviam a o velho, nenhum dos apelos humanos (privilegiar o seu bem estar, a sua vontade) eram importantes. Somente a busca de manter-se sintonizado às coisas espirituais e em perfeita harmonia amorosa com Deus e com a irmandade espiritual guiavam sua forma de 'ver' o mundo.
A partir destas crenças (que não há ser humano nem mundo material, mas apenas o espírito vivendo no Universo) eles buscaram entender porque estavam vivenciando esse 'período' de sua existência eterna ligado a uma personalidade transitória e descobriram que tudo isso trata-se apenas de provações ou missões para o espírito realizar.
Para eles não existia 'acontecimentos de vida', mas situações que eram criadas para lhes dar a oportunidade de provar alguma coisa e, ao mesmo tempo, exercer uma missão em nome do Pai para que se transformassem no sal da terra para os irmãos encarnados: aquele que tempera a 'vida' dos outros. E, por Cristo, aprenderam ainda que o único tempero que vale a pena ser saboreado é o amor.
A partir disso Chico Xavier, Madre Teresa de Calcutá e outros compreenderam finalmente que tudo que acontece tem como objetivo criar condições para que o espírito humanizado possa amar. Não um amor possessivo ou fundamentado no egoísmo como os seres humanizados vivem, mas um amor incondicional, sem posses, sem direitos ou deveres, mas que simplesmente ame.
A partir destas constatações o mundo mudou para estes seres. A fome e a miséria não se transformaram mais em tragédias ou agressões aos seres humanizados, mas uma oportunidade para que quem vivencia ou assiste estas situações possa amar a tudo e a todos. Ao invés de sofrer com uns e acusar outros, amar indistintamente os agentes ativos ou passivos da situação, para que as máximas divinas pudessem ser atendidas.
Por isso seus mundos mudaram. Não mais existiam agentes a serem condenados, nem situações constrangedoras ou agressivas, mas apenas situações ilusórias que passaram a existir apenas como uma oportunidade para que o amor superasse tudo. Este é o 'novo mundo': uma 'vida' onde o amor supera a crítica e o sofrimento porque o ser humanizado não mais está submetido às suas paixões e vontades, mas preocupa-se apenas em amar a todos.
Mas, para que isso fosse verdade para os seres humanizados que vivenciaram suas encarnações dentro de um 'novo mundo', foi preciso que eles estabelecessem um relacionamento profundo com Deus e não com a matéria.
Eles viveram com Deus, para Deus e em Deus. E, quando isso acontece, o ser humanizado descobre mais Verdades que para ele são incompreensíveis: não cai uma folha da árvore sem que o Pai a faça cair, tudo que acontece é a Vontade do Pai.
Deus é Causa Primária de todas as coisas, ou seja, tudo se origina Nele.
Tal concepção se transforma em Verdade Absoluta na existência de cada um que alcança o 'novo mundo'. Quando isto ocorre, os acontecimentos da vida deixam de ser praticados por agentes carnais e tudo se transforma em emanação de Deus. E, se Deus faz, quem pode dizer a Ele que está 'errado' e ensiná-Lo o 'certo'?
Mas, apenas a cultura, ou seja, o saber destas Verdades que já pertencem aos ensinamentos dos mestres enviados pelo Pai (ver 'O Livro dos Espíritos', ensinamentos dos evangélicos canônicos, de Buda e de Krishna) não foram o suficiente para que Madre Teresa, Irmã Dulce e outros conseguissem alcançar o 'novo mundo': foi preciso confiar e entregar-se a Deus, ou seja, ter fé.
A fé (confiança e entrega, absolutas e irrestritas) no Pai transforma o 'mundo' em que vive o ser humanizado. Por isso Cristo disse: a fé do tamanho de um grão de mostarda afasta as montanhas do seu caminho. Todos aqueles que quiserem viver o 'novo mundo', não importa a que tempo ou em que lugar, precisarão necessariamente entregar-se irrestritamente ao Pai confiando em seu Amor Sublime e na sua Justiça Perfeita.
A partir do momento que a fé entra em ação toda e qualquer compreensão (raciocínio) sobre os acontecimentos da vida, que é formada a partir das paixões e desejos do ser humanizado, extingue-se e sobra apenas o amor para ser vivido. Por isso, então, afirmo que a fé não pode ser raciocinada, ou seja, passar pelo crivo da razão formada por paixões e desejos egoístas, mas que deve transformar-se numa entrega incondicional.
Também não estou falando em fé cega. Até porque se estivesse falando não haveria problema algum, pois Cristo ensina aos seus seguidores que quem quiser ver (compreender) será um cego.
A fé de quem vive o 'novo mundo' não é cega, mas extremamente iluminada. Isto porque ela se ilumina (gera compreensão) a partir de Deus, da Inteligência Suprema do Universo, e do seu Amor e Justiça, que são frutos da sua Onipresença, Onipotência e Onisciência.
A compreensão das coisas do mundo de Chico Xavier, Irmã Dulce, Madre Tereza e de outros, não se fundamentavam nas inteligências menores que estavam vivenciando naquele momento (a consciência que gera a personalidade que o ser humanizado vive durante a encarnação), mas sim no 'conhecimento' que tinham de Deus e do que Ele é para o Universo: Pai amoroso, Senhor Supremo.
Nesta curtas linhas, então, descreve-se um ser universal que, mesmo humanizado, vive o 'novo mundo'. Trata-se daquele que compreende a si e ao mundo como espiritual e não material; daquele que sabe que não há uma vida para viver, mas acontecimentos que servem de provação para que ele possa colocar em prática todo o amor que 'aprendeu' antes da encarnação; e que entende que todo o Universo é regido por Deus através da Justiça Perfeita, mas fundamentada no Amor sublime que jamais fará o 'mal' para um filho.
E, para se viver assim não são precisos fatores externos nem esperar um determinado momento, mas basta apenas cada um buscar entregar-se em perfeita sintonia com Deus, amando-O e se sentido amado por Ele. Por isso, encerro essa mensagem com uma velha história.
Conta-se que na África, quando os primeiros raios do sol começam a aparecer, o leão levanta e sai correndo. Ele sabe que, se não correr muito, não conseguirá alimentar-se naquele dia.
Na mesma África, quando os primeiros raios do sol começam a aparecer, o veado também levanta e sai correndo. Faz isso porque sabe que se não correr muito, não conseguirá sobreviver e será comido pelo leão...
Portanto, não importa se você é veado ou leão, 'certo' ou 'errado', 'bonito' ou 'feio', cristão ou mulçumano, oriental ou ocidental, espírita ou não, quando os primeiros raios do sol surgirem, levante-se e comece a correr no sentido de estabelecer esta relação amorosa com Deus. Só assim você poderá entrar no 'novo mundo'.
Firmino José Leite.


Espírito Amigo Pai João de Aruanda - Médium

                                                                          

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Perseverança - A força do coração Espiritual

(Seguindo em Frente...)

Se perseveras na labuta espiritual, mesmo sob a pressão da zombaria e cegueira de teus entes queridos e amigos...

Se não sabes odiar e abominas pensamentos de vingança e de trevas em teu Ser...

Se laboras com amor e dedicação nas lides espirituais onde o Senhor da Vida te colocou para servires...

Se estudas as verdades do espírito, sem perder de vista os compromissos da vida cotidiana...

Se não julgas a conduta alheia, porque estás ocupado corrigindo os teus próprios defeitos...

Se não te julgas injustiçado pela vida, e consegue extrair lições preciosas de cada situação difícil...

Se fitas os olhos de teus semelhantes e vês o Divino brilhando neles, independente de raça, credo, sexo ou condição social ou espiritual.. .

Se não olhas a cor da pele dos outros, porque estudas os mecanismos da reencarnação e sabes que todo ser vivo é teu irmão...

Se a felicidade dos outros também te faz feliz...

Se segues em frente, sempre aprendendo, sem te apegares ao passado...

Se percebes a ação do amor em ti e reconheces que isso é uma graça que o Pai Celestial te deu...

Se sentes alegria em viver e teu sorriso é farto e espontâneo...

Se não te mascaras e tratas a todos com respeito e amizade...

Se sabes que as grandes batalhas são travadas dentro de ti mesmo...

Se não humilhas ninguém e, pelo contrário, agradeces ao Senhor da Vida pelas chances de trabalho e aprendizado. ..

Se usas a pomada da compreensão e do perdão para curar as feridas do teu próprio coração...

Se estás atento às ciladas das trevas e te escoras na prece e na tua própria dignidade e caráter...

Se és professor de ti mesmo, e sabes que, ao mesmo tempo, és mais um aluno da Vida...

Se estás atento às intuições que os mentores espirituais projetam em teu psiquismo...

Se não te revoltas com a partida de um ser amado para a pátria espiritual, pois sabes que o espírito é imortal e segue sempre vivo...

Se não te tornas arrogante com o teu conhecimento e, pelo contrário, trabalhas no esclarecimento espiritual com alegria e respeito para com os outros...

Se sentes uma Força Maior operando sutilmente em ti...

Se estudas visando a sabedoria de dominar a ti mesmo, e não o poder sobre os outros...

Se, mesmo diante do vazio existencial da sociedade moderna e suas loucuras de consumo supérfluo, ainda sonhas com um mundo melhor...

Se sabes que tudo passa, inclusive o envoltório carnal que vestes no momento...

Se te alegras só de sentires a Luz da Espiritualidade Maior em teu coração, e agradeces às consciências espirituais que te orientam e auxiliam na tarefa de melhorar a ti mesmo e fazer o bem, por onde for...

Então estás preparado para conviver bem contigo mesmo e seguir em frente, na direção da Luz das luzes...

Com a consciência limpa e sem medo da verdade.

Persevera, persevera... Com a compreensão de que o Pai Celestial conhece profundamente o teu coração, e que só Ele tem o poder de determinar o valor de tua jornada no mundo.

Honra ao Senhor da Vida, em ti mesmo, fazendo do teu coração uma morada de Paz e Luz.

Luz na senda.
Amor no coração.
Dignidade e honra na jornada.
E alegria de servir ao Senhor da Vida.

- Os Iniciados –
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges
– São Paulo, 07 de outubro de 2009.)

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