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Amigos da Umbanda!!! Saravá aos Pretos Velhos e Pretas Velhas!!!!!!!

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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Hoje é Dia de EXU na Umbanda - Dia 13 de Junho - Salve Santo Antônio


  Junho é o mês mais esperado por muita gente devido às festas juninas, e principalmente para fazer seus pedidos a Santo Antônio. Vamos saber um pouco mais sobre esse santo tão homenageado na Umbanda.
Salve Santo Antonio! Padroeiro dos Exus. Laroyê Exu! 

Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal, e desencarnou em Pádua, na Itália. Foi discípulo de São Francisco, e como ele, desfez-se de todos os seus bens e viveu para ajudar aos pobres e desamparados.
Seu nome na verdade, era Fernando, mas ao entrar na Ordem dos Franciscanos, em 1208, trocou seu nome para Antônio (que significa “Defensor da Verdade”) e deixando as coisas mundanas, foi viver no mosteiro de São Vicente. Desencarnou precocemente, aos 39 anos, devido às privações e jejuns prolongados. Sempre defendeu a igualdade de todos e defendia os desamparados, lutando pela igualdade de todos.
Um dos poucos encarnados onde comprovou-se o fenômeno de bilocação, e salvou o próprio pai da prisão. Estava ele pregando numa praça de Milão, quando soube que naquele momento estava o pai diante dos juízes. Encostou-se no púlpito e naquela mesma hora apareceu em Lisboa, diante do tribunal. Saudou os juízes e depois, com ar severo censurou os mentirosos que negavam ter recebido o dinheiro: “Vós desafiais a Deus, negando que recebestes o dinheiro de meu pai. Ele confiou em vós, e vós lhe retribuís arrastando-o para a desonra, juntamente com sua família! Vós, em tal dia (e foi dizendo a cada um), em tal hora, em tal lugar, recebestes tanto, vós tanto, vós, tanto… Confessai a verdade, se não quereis que Deus vos mande um terrível castigo”. Os culpados confessaram que haviam mentido e o Santo ainda conseguiu dos juízes que fossem perdoados. Depois abraçou o pai, beijou-lhe respeitosamente a mão e no mesmo instante recomeçava em Milão o sermão interrompido.
Como todos os que seguem os desígnios simples e puros, muitas vezes os homens não lhes davam ouvidos, então isolava-se na Natureza, conversando com as aves e os pássaros.
Quando no Brasil, os escravos foram obrigados a professar a religião católica, dedicavam o culto a Santo Antônio, acendendo grandes fogueiras. Como na crença africana, o dono do fogo é Exu, Santo Antônio tornou-se o agente de Exu e esta crença foi absorvida pela Umbanda, de modo que para nós ele se chama Santo Antônio de Pemba ou de Ouro Fino, e rendemos nossas homenagens a ele, com a crença que é o mensageiro das palavras do Bem e de Jesus, e o agente das forças mágicas da Umbanda desamarrando as demandas, nos trabalhos de desobsessão, protegendo as pessoas dos espíritos malignos e também trazendo de volta o que estava perdido. A ele dirigimos nossas preces, acreditando que ele auxilia no destino dos encarnados, ao lado destas entidades amigas que tanto nos ajudam que são os Exus da Umbanda.
A falange de Zé Pelintra trabalha junto de Santo Antônio, e é o santo em Zé Pelintra deposita seus pedidos. Nos terreiros e tendas onde desce Zé Pelintra, no dia 13 de junho, ele chega para benzer os pães de Santo Antônio e os distribui aos filhos de fé, para serem guardados com açúcar e durante o ano inteiro o pão permanece sem estragar, para que traga fartura a cada um. Em uma das suas cantigas, pergunta-se: – Zé Pelintra, cadê Santo Antonio: “Estava rezando e fazendo oração; Santo Antonio que gira e retira que quebra as demandas de toda a nação”. E assim, Zé Pelintra invoca ao Santo, trazendo sua força, inspiração e proteção à Umbanda e aos seus filhos de fé.
Santo Antônio faz parte da primeira linha que é de Oxalá. Os chefes-guia de suas falanges são: Santo Antônio, São Cosme e Damião, Santa.Rita, Santa Catarina, Santo Expedito, São Benedito e São Francisco de Assis. Os santos da linha de Oxalá, penetram nas linhas de quimbanda para desmanchar “trabalhos” feitos para prejudicar as pessoas.
“Santo Antônio é de Ouro Fino, suspende a bandeira e vamos trabalhar”
Salve Santo Antônio! Salve a Malandragem e Laroyê Exu!
Por Alex de Oxóssi.
Oração de Santo Antonio

Lembrai-vos, glorioso Santo Antonio, amigo do Menino Jesus, filho querido de Maria Imaculada, de que nunca se ouviu dizer que alguém daqueles que têm recorrido a vós e implorado a vossa proteção tenha sido por vós abandonado.
Animado de igual confiança, venho a vós, fiel consolador e amparador dos aflitos.
Gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés e, pecador como sou, ouso a me apresentar diante de vós.
Não rejeiteis, pois, a minha súplica. (Fazer o pedido), vós que sois tão poderoso junto ao Sagrado Coração de Jesus, mas escutai-a favoravelmente e dignai-vos a atendê-la.
Que Assim Seja.
Falando um pouco sobre Exu...
Sabendo que a Umbanda, segundo o Caboclo das Sete Encruzilhadas é “A manifestação do espírito para a prática da caridade”, qual a principal função desempenhada pelos Exus nos nossos Templos, Terreiros, Casas, Tendas ou Centros?
Na Umbanda o Exu é uma Entidade (alma) que cuida da Segurança da casa e de seus médiuns. Todas as religiões tem entidades que cumprem esse papel. Um bom exemplo disso são as comunicações recebidas por Chico Xavier e Divaldo Franco mostram a existência desses espíritos trabalhando também no Plano Astral como Espíritos Guardiões.
A reunião de Exu ou Gira de Exu na Umbanda tem como a maior finalidade descarregar os médiuns e os consulentes e sempre agir em prol da Caridade. Unindo suas energias eles são capazes de entrar em contato e orientar mais facilmente com almas que ainda não encontraram um caminho. Estas almas vivem entre os encarnados, prejudicando-os, obsediando e até mesmo trazendo-lhes um desequilíbrio tão grande que são considerados loucos. Para este trabalho eles necessitam muito de nosso equilíbrio e de nossa energia. Nosso equilíbrio é utilizado por eles no momento em que as entidades sofredoras se manifestarem com ódio, rancor, raiva, para que tenhamos bons pensamentos e sentirmos verdadeiro amor e harmonia para que desta maneira as desarmemos e não as deixemos tomar conta da situação e, quem sabe, até as persuadir a mudarem de caminho libertando-se assim do encarnado ao qual está ligada; nossa energia é utilizada em casos em que estas almas estão sofrendo com o desencarne, tristes, com dores, humilhadas, desorientadas, assim eles transformam as nossas energias em fluidos balsâmicos que as ajudam, em muito, na sua recuperação. Muitas destas almas desorientadas não conseguem nem se aproximar dos Terreiros de Umbanda, pois os Exus da Tronqueira ficam encarregados de fazerem uma triagem liberando a passagem apenas das almas que eles percebem já estarem prontas para o socorro, ou seja, prontas para seguirem um novo caminho longe do encarnado ao qual estava apegada. Este trabalho de separação é feito por eles com muito empenho e seriedade e será muito melhor sucedido se o encarnado der continuidade ao mesmo, quando menos melhorando os seus pensamentos e se livrando da negatividade e do medo.
Oração à Exu
Ó Exu, glorioso trabalhador do céu e da terra,
Protetor das almas encarnadas e desencarnadas
E guardião dos espíritos de luz;
Eu vos invoco humildemente, para que me ajudes
A pregar o amor, a verdade a justiça,
E a fazer a caridade que Nosso Amado Mestre Jesus nos Ensinou.
Ilumine meu espírito com seu amor infinito
E sua bondade inesgotável, para que eu possa
Hoje e sempre ter a misericórdia da sua proteção,
E através dela concretizar e levar minha fé,
Vencendo toda a adversidade
E a feitiçaria dos homens da terra.
Laroyê Exu !
Que Assim Seja, na Energia de Exu!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Hipócritas – Por Maria Padilha


Pobres são os encarnados que fizeram de suas vidas um palco, um teatro . Passam sua existência representando um papel, que não escolheram para sí, que não condiz com sua própria "persona", mas são personagens que existem para agradar e contentar aos outros.

Essas pessoas, vivem em um mundo de mentiras, anulam seu ego e destroem seus sonhos, com medo de contrariar os que estão próximos, tentando ser o que os outros querem que sejam.

Chegam em um determinado ponto de suas vidas, onde a mentira se torna uma constante e consequentemente, perdem sua identidade e já não sabem mais quem são e porque estão aqui nessa terra.

Obedecem incondicionalmente, os desejos e expectativas alheias, fazendo o possível, para não decepcionar os outros e esquecem, que estão decepcionando a sí próprios, vivendo uma vida de mentiras e fazendo um esforço sobre humano, para acreditar que seus castelos não são fictícios.

Pensam que ao se enganarem, estão enganando também os outros e começam a vivenciar emoções falsas e mecânicas, onde o sorriso não nasce da alma e sim de um esforço meramente muscular.

Pobre mortal, que desperdiça sua vida, seus sonhos e projetos vivendo na mentira e transformando sua existência em verdadeiras utopias, onde o único intuito é agradar ou adequar-se àquilo que a sociedade espera dele.

Sorte daqueles que tem coragem de impor suas vontades, que buscam sua felicidade, acreditando que merecem ser felizes e que podem alcançar suas metas de vida, apoiando-se na verdade, mas a verdade que vem dos anseios do seu próprio coração e de suas almas.

Esses sim, merecem os céus, porque souberam fazer de sua passagem aqui na terra, algo de verdadeiro e sólido e não agem como robôs, frios sem alma, que acostumaram fazer da mentira, seu ideal de vida.

Maria Padilha Pomba Gira Rainha - Psicografado por Mago Fernando em 29/08/2009

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Dia 13 de Junho - Dia de Santo Antônio de Pemba

Falar de Santo Antonio na Umbanda, não é tarefa fácil, ainda mais de Santo Antonio de Pemba, de Lisboa, de Ouro fino, de Pádua. Temos consciência que Ogum é Ogum, e Santo Antonio é Santo Antonio. 

Antonio, que largou tudo pelo sacerdócio da caridade e luta justa pelos valores dos humanos seja o padre, ou o padeiro, o padre que alimentava seus fiéis pela palavra de Deus ou o padeiro que matava a fome dos pobrezinhos da aldeia de Pádua.

Antonio, que quando vivo já era um Santo para o povo, após sua passagem se transforma em Santo Antonio Milagreiro. Santo Antonio de Pemba, na Umbanda, que é o Patrono de Exú, que rege as legiões desses espíritos guerreiros e mensageiros dos Anjos Superiores (orixás), que preside as batalhas navais e terrestres. 

Santo Antonio que protege as pessoas dos espíritos malignos e que traz o que estava perdido. Zé pelintra do Catimbó, ora muito a Santo Antonio.

Em uma das suas cantigas, pergunta-se:

“Zé Pelintra, cadê Santo Antonio?
Estava rezando e fazendo oração;
Santo Antonio que gira e retira, que quebra as demandas de toda a nação.”

E assim, Zé Pelintra, invoca ao Santo, trazendo sua força, inspiração e proteção à Umbanda e aos seus filhos de fé.

Salve Santo Antonio!

Entre Santo Antônio de Lisboa e Santo Antônio de Pemba há muita diferença. 

Como o número de escravos era superior ao dos fidalgos, erigiu-se em cada fazenda uma capela com o Santo da devoção dos Senhores ou Sinhás das fazendas, onde um Sacerdote da Igreja Católica fazia seus ofícios religiosos.

Quando os escravos adotaram Santo Antônio de Lisboa por Santo Antônio de Pemba como Exu, fizeram-no por diversos motivos. O primeiro porque tinham que acompanhar o credo católico; o segundo para ludibriar a boa fé dos senhores das fazendas, pois proibiam que os mesmos professassem o seu culto africano; e o terceiro porque faziam suas festas com fogo, como fogueiras, etc., e o dono do fogo é Exu.

O dia de Santo Antônio de Pemba é 13 de junho, razão pela qual a Umbanda comemora nesta data o dia de Exu.

Na Umbanda atual, onde os chefes de terreiros são mais esclarecidos, com mais cultura e seus filhos também, não se admitem mais os tabus a respeito de Exus e Pombagiras, tais como :
  • Colocar cortina para cobrir o Gongá em dias de Sessão de Exu; 
  • Considerar os médiuns que trabalham com Exus ou Pombagiras como perigosos, como assim era de crer naquela época remota;
  • Não permitir que os médiuns do terreiro trabalhem como Exus e Pombagiras, como alguns chefes de terreiros daquela época então procediam;
  • Pensar que Exu ou Pombagira são entidades negativas (ruins);
  • Considerar ainda nos dias de hoje que OMULU seja Exu e não Orixá;
  • Exigir que Exus ou Pombagiras incorporem de costas para o Gongá;
  • Pensar que somente na grande hora (meia-noite) seriam horas que Exu ou Pombagira poderiam incorporar;
  • Pensar que um médium após trabalhar com Exu ou Pombagira terá de ser descarregado por um Caboclo ou Preto Velho;
  • Pensar que Exu e Pombagira só trabalham falando "palavrões" e bebendo. Isto é a má orientação dada pelo chefe do terreiro que não respeita a entidade e nem se faz respeitar.

HISTÓRIA
Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua (nasceu na capital portuguesa; passou seus últimos dias na cidade italiana), chamava-se Fernando, antes de ingressar na Ordem dos Franciscanos, em Coimbra.

Por conta da doutrina adquirida e propagada como frade menor, é o santo defensor dos pobres. Também era evocado para achar coisas perdidas, tal como São Longuinho. No dia que lhe é consagrado, 13 de Junho, distribui-se o pãozinho que deve ser guardado numa lata de mantimentos, como 'amuleto' de garantia que não falte comida durante o ano. Os lírios brancos que acompanham sua imagem indicam a pureza e os sentimentos nobres.

A escolha de Santo Antônio como padroeiro dos namorados deve-se a uma narrativa sobre o santo português; este durante o tempo em que esteve em França, dirigiu-se a um povoado onde casar era considerado um pecado. No local, o santo pregou sobre a importância da formação das famílias, vindo daí tradição que o tornou popular como santo casamenteiro.

Aqui no Brasil, institui-se 12 de Junho como dia (comercial) dos enamorados em 1949, quando o técnico de publicidade João Dória - trabalhando para a Agência Standard Propaganda - encetou uma campanha para melhorar as vendas da extinta loja Clipper no decorrer de Junho - um mês bastante fraco para o comércio - lançando o slogan "Não é só de beijos que se prova o amor". O êxito foi imediato, tendo a Standard ganho o título de agência do ano. A idéia estava lançada, com o apoio da Confederação de Comércio de São Paulo e o júbilo de todos os comerciantes.

       Laroyê Exu, Exu é Mojubá... Saravá os Exus e Salve Santo Antônio!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A Pombagira da Vida

Mensagem de uma guardiã

Certa vez eu estava andando pelas ruas, a altas horas da madrugada, pensando na vida e nas coisas pertinentes a ela quando, perto de uma encruzilhada, uma imagem chamou sensivelmente minha atenção: era uma mulher extremamente bela, dessas de corpo perfeito, olhos esverdeados e cabelos negros, sedosos, ondulados e que chegavam à altura da cintura.
Confesso que com estes nossos tempos de violência desenfreada fiquei, primeiramente, muito preocupado com a segurança da moça que era mesmo extremamente linda, mas depois fiquei mesmo preocupado é com a minha segurança porque, afinal, e se a bela moça, poucos metros a minha frente, fosse a isca para uma armadilha de assalto? E se a moça fosse a própria assaltante? E se nós fôssemos vítimas de alguma violência? E se......
— ....Moço, por favor, não tenha medo pode se aproximar.
Eu estava realmente receoso de aceitar o convite e confesso que cheguei até mesmo a pensar em dar meia volta e sair correndo com todas as forças de meu ser, mas o seu olhar ao fazer o convite fora tão enfeitiçador que não pude resistir e acabei me aproximando.
Ao chegar mais perto ela me fez um convite minimamente inusitado pedindo que eu ficasse ao seu lado e aguardasse alguns instantes, porque em pouco tempo ela começaria a receber algumas pessoas.
“ Tô lascado meu Deus do céu”, foi o que pensei já imaginando que aquela mulher era dessas de vida fácil. Mas só foi eu pensar nisso que ela virou-se para mim e deu um sorriso tão maravilhoso com seus dentes alvos e sua boca perfeita que meu corpo, assim, começou a aquecer-se e a ficar todo arrepiado!!! Pode parecer até loucura, mas eu tinha a nítida sensação que ela podia ler os meus pensamentos.
Pensei em perguntar o seu nome não no intuito de paquerá-la já que sua imagem provocava em mim um tremendo respeito, mas sim com o intuito de iniciar algum tipo de entendimento, só que eu não conseguia por que qualquer olhar, sorriso, gesto ou fala que ela me direcionava despertava em meu emocional emoções tão reais, intensas e indescritíveis que, temendo explodir meu coração eu preferi silenciar.
— Está vendo moço, disse a bela mulher expulsando meus pensamentos, está chegando meu primeiro convidado; não se preocupe que todos aqueles que aqui vierem a ter comigo serão incapazes de lhe enxergar.
Eu balancei a cabeça assentindo que estava tudo bem, apesar de estar achando tudo muito estranho, e procurei ficar bem atento com a conversação que estava para se iniciar.
— Boa noite, moço!
— Boa noite dona....
— Você está fazendo um curso pré-vestibular, mas de algumas semanas pra cá você não tem conseguido se concentrar nos estudos, certo?
— É, é isso mesmo!
— É só você ameaçar pegar os seus livros para estudar que você começa a sentir um sono terrível, não é?
— Sim, disse o jovem rapaz que não deveria ter mais do que dezessete anos.
— Olha moço eu estou autorizada a te dizer que você está com problemas nos campos do conhecimento e necessitado de estimulação nesta área, mas também que se você quiser melhorar eu tenho permissão pra te ajudar, tudo bem?
— Sim, tudo bem!
Neste momento a bela mulher fechou os olhos como se estivesse a fazer algum tipo de oração e entrelaçou os dedos das duas mãos posicionando as palmas voltadas para o solo; então uma espécie de luz azul-claro bastante irradiante surgiu em suas mãos e ela as depositou em cima dos joelhos do jovem; este deu um suspiro profundo e, como se fosse feito de fumaça, desapareceu da minha frente.
A linda moça, então, colocou as duas mãos nos quadris e soltou uma gargalhada que arrepiou todo o meu corpo. Em breves instantes uma outra pessoa já se encontrava em frente da bela mulher, desta vez era uma pessoa do sexo feminino por volta de seus quarenta e cinco anos.
— Boa noite, moça !
— Boa noite dona.....
— Hoje você está aqui comigo em busca de um equilíbrio na sua vida por que seu ex-marido está judicialmente tentando tirar de você a guarda de seu único filho, ou seja, um problema nos campos da justiça, certo?
— É isso mesmo!
— Tenho permissão para te ajudar, peço que feche os seus olhos e se concentre, tudo bem ?
E dizendo isto a bela mulher novamente fechou os olhos e entrelaçou os dedos das duas mãos posicionando as palmas voltadas para o solo; e outra vez, após estas terem tomado uma coloração azulada, ela as colocou em cima do joelho da simpática dama. Esta também deu um suspiro e desapareceu diante de minhas vistas. Então a bela mulher soltou mais uma gargalhada e me pediu que prestasse bastante atenção porque naquela noite, por parte dela, eu só escutaria mais cinco gargalhadas. Eu assenti com a cabeça dizendo que sim e pude perceber que estava chegando mais uma pessoa, desta vez um homem com aproximadamente trinta anos.
— Boa noite, moço!
— Boa noite dona.....
— Hoje você está aqui por que está se sentindo perdido na vida, sem senso de direção, ou seja, depois de tanto bater cabeça querendo que o Divino Criador fizesse a sua vontade você percebeu que tudo foi inútil e agora deseja submeter-se à vontade Dele, assim como também deseja que Este dê um rumo à sua vida resolvendo este problema nos campos da lei, certo?
— Sim, é isso!
— Bem moço, para sua felicidade eu tenho a permissão de te ajudar, feche os olhos, tudo bem?
Dizendo isso, novamente a bela mulher concentrou suas mãos tomadas de uma coloração azulada e as depositou em cima do joelho do rapaz; depois ela deu mais uma gargalhada e se ajeitou para conversar com a próxima pessoa que, por sua vez, era uma senhora com uns cinqüenta anos de idade.
— Boa noite, moça!
— Boa noite dona.....
— Apesar dos insistentes esforços em estar lhe esclarecendo você está aqui mais uma vez para reclamar sobre os membros da congregação religiosa a qual pertence e para, mais uma vez, dizer que a fofoca está demais e que está perdendo a fé porque não consegue entender como o Divino Criador pode permitir tanto ti-ti-ti dentro de uma Casa de Oração, certo?
— Sim!
— Este já é o décimo-primeiro templo religioso que você procurou para freqüentar em menos de doze meses, certo ?
— Certo.
— Bem moça, a ajuda que eu posso te oferecer é no sentido de estar desiludindo o seu sentido de religiosidade, de estar lhe esclarecendo o fato de que não existe a instituição religiosa perfeita porque perfeito só o é o Criador, tentando, assim,resolver este problema nos campos da fé, você aceita minha ajuda?
— Sim!!!
E a bela mulher depositou suas mãos coloridas de uma belo azul em cima do joelho da senhora com quem conversava para, logo depois de realizado este trabalho, soltar mais uma gargalhada.
Instante depois já estava à frente da bela mulher um senhor por volta de seus cinqüenta anos de idade, ela o cumprimentou:
— Boa noite, moço!
— Boa noite dona....
— Você tem tudo para estar feliz, não é moço? Dez anos de casamento, um belo filho, uma esposa dedicada, um ótimo emprego e dois belos carros. Contudo, já faz mais de dois anos que você tem a nítida impressão que sua vida está parada, não é? O que antes você fazia com prazer hoje você parece que faz obrigado. Mesmo não tendo deixado de gostar das coisas que você sempre gostou você tem a percepção de ter perdido por elas todo o apreço, não é?
— Sim!
— Olha moço, isto acontece com você porque você está apatizado nos campos da caridade. É necessário perceber que dar o conforto àqueles que amamos é importante, mas cuidar daqueles que são nossos irmãos por paternidade Divina é essencial para se alcançar o caminho da evolução que leva ao Divino Criador, você não acha?
— Sim!
— Deseja seguir o caminho da caridade?
— Sim!
— Então feche os olhos!
E dizendo isto a bela mulher colocou suas mãos encantadoramente coloridas de azul em cima do joelho do senhor com que acabara de conversar e, logo após, soltou mais uma gargalhada.
Imediatamente apareceu à frente da bela mulher uma mocinha por volta de seus vinte e três anos de idade e que se encontrava com os olhos inchados e molhados de lágrimas.
— Boa noite, moça!
— Boa noite, dona.....
— Anime-se moça, depois de três longos anos parece que você recebeu a benção de ser mãe, não alimente a dúvida e a incredulidade, pois em pouco tempo você será agraciada com a oportunidade de estar gerando dentro de si a vida de um belo rebento. Estou aqui para dar início à preparação de seu corpo físico e espiritual, nas atribuições que me competem, para que você possa praticar o divino sacerdócio da maternidade, finalizando, assim, este problema nos campos da geração da vida, tudo bem?
— Sim!
— Então feche os olhos.
E dizendo isto a bela mulher colocou suas mãos qualificadas com azul anil em cima do joelho da jovem; esta deu um suspiro profundo e, da mesma forma imediata que chegou ela foi-se. A bela mulher, então, colocou as duas mãos na cintura e deu mais uma gargalhada.
A seguir, a frente da bela mulher, surgiu uma pessoa do sexo feminino por volta de seus trinta e cinco anos.
— Boa noite, moça!
— Boa noite, dona.....
— Pois é moça, quanto sofrimento por um sujeito que, como homem, não mereceria nem o seu respeito quiçá um de seus maiores tesouros e de todas as mulheres que é o seu sentimento de amor. Não adianta você ficar insistindo em querer ficar voltando pra ele, ele está em sintonia com outras coisas, procure você sintonizar-se com o Criador. Insistir não vai adiantar nada, chorar também não; você precisa é agregar novos valores e conceitos em sua vida, principalmente em seu emocional, e será a partir deste acontecimento que você retomará seu equilíbrio emocional e evoluirá nos campos do amor, certo?
— Sim!
— O Divino Criador hoje lhe concedeu a oportunidade de estar readquirindo a paz em seu coração por meio de meus atributos e atribuições, e de assim ser resolvido este seu problema nos campos do amor, você assim deseja?
— Sim!
— Então feche os seus olhos.
Então, dizendo isto, a bela mulher depositou as suas mãos tomadas por uma tonalidade azul em cima do joelho da pessoa com quem conversava e esta, assim como todas as outras anteriores soltou um profundo suspiro e desapareceu. A bela mulher, assim, colocou suas mãos sobre a cintura e, pela sétima vez, pôs-se a gargalhar.
Então, instantaneamente, apesar de saber que ainda estava na encruzilhada, eu tive a sensação de que estava em um outro lugar. Tudo isto eu estava a pensar sem tirar os olhos dos belos olhos da bela mulher. Ela, então perguntou pra mim:
— Então moço, já descobriu quem eu sou?
— Sim, creio que a senhora é uma entidade da umbanda conhecida como Pomba-gira.
— Exatamente! E você sabe o que veio fazer aqui?
— Observar a senhora atender várias pessoas?
— Com que finalidade?
— Ah, isto eu não sei. Eu só sei que via a senhora esclarecendo as pessoas para depois oferecer a sua ajuda, digo, aquela que está no campo de suas atribuições e atributos. Daí então a senhora fechava os olhos, cruzava os dedos das mãos voltando-as para o solo e após elas ficarem azuis a senhora as depositava nos joelhos das pessoas. Agora a finalidade eu não sei por que não entendi o “lance” da cor azul.
— Bem moço, noto que você é curioso, mas vamos por partes: Primeiro, ao fechar os meus olhos, como você bem observou, eu evoco o mistério da linha de umbanda a qual eu estou fatorada; desta forma parte do meu mistério você percebeu como uma coloração azul opalina que viu em minhas mãos ao qual eu procuro honrar e trabalhar depositando-as em cima dos joelhos dos assistidos para que este meu mistério possa alcançar os chacras e sentidos que estiverem problemáticos.
— Mas por que a senhora trabalha na irradiação energética de parte de seus mistérios as pessoas através dos joelhos delas?
— Moço, não sou apenas eu, mas toda pomba-gira trabalha desta forma e isto se dá pelo fato dos joelhos serem a melhor porta de acesso para realizarmos nosso trabalho.
— Como assim?
— Bem moço, toda pomba-gira trabalha através do chacra básico das pessoas, porque ele é a porta de acesso mais direta para estarmos estimulando os chacras que estiverem mais necessitados, é por meio dele que podemos trabalhar os demais e os joelhos são a forma de contato mais prática de estarmos acessando o chacra básico, entendeu?
— Mais ou menos.
— Bem moço, vou te dar um exemplo. Você notou que uma das pessoas que eu assisti esta noite encontrava-se “com a vida ganha”, mas desmotivada de estar realizando as tarefas mais básicas de sua vida, certo?
— Sim.
— No caso desta pessoa a desmotivação era proveniente de sua apatia nos campos da caridade; ou seja, ela pouco realizava em benefício do próximo estando, assim, apatizado nos campos da evolução porque é a caridade a maior responsável pela evolução do espírito, certo?
— Sim.
— Pois bem, detectado o problema e tendo permissão do Criador para resolvê-lo eu poderia até evocar o meu mistério e impor diretamente minhas mãos em cima do chacra que é regido pela linha de umbanda responsável pela evolução, mas sendo eu uma Pomba-gira, ou seja, um espírito estimulador dos desejos e, de certa forma, até mesmo da vida, tendo em vista que sem desejos um ser humano não vive, nada mais pertinente para eu realizar o meu trabalho do que irradiar as minhas energias pelos joelhos do assistido, que é onde se reflete a energia do chacra responsável pelo sétimo sentido da criação Divina ou, se você quiser, o chacra da vida que é o chacra básico. Entende?
— Sim senhora.
— Após o chacra básico do assistido em questão ter absorvido a energia doada por mim este chacra conduz esta energia naturalmente para o chacra umbilical afim de que este irradie a energia de transmutação que foi por mim estimulada. Enfim, entenda que nós, as pomba-giras, temos a nossa forma de trabalho e devemos segui-la a risca se quisermos trabalhar pelo Criador junto à religião de umbanda, entendeu?
— Sim senhora!
— Bem, isto entendido deixe eu lhe explicar sobre a coloração de minhas mãos que, aliás, reside no fato de meu mistério estar fatorado na linha de umbanda que é responsável pela geração da vida então, quando eu evoco o mistério, junto com ele vem uma coloração que representa este mistério que, no caso, é a azul-claro, entendeu?
— Sim senhora. Isto quer dizer que as Pomba-giras irradiam uma energia estimuladora, é isso?
— Exatamente. Cada uma de nós irradia uma energia que estimulará aquilo que estiver dentro de nossos atributos e atribuições.
— Como assim?
— Isto varia bastante.
— Perdão? Não entendi!
— Você é curioso, não é moço?
— Sim senhora.
— Tentarei lhe esclarecer até onde você tenha condições de entender. Eu, por exemplo, sou uma Sete Ondas, ou seja, uma Pomba-gira que atua nas sete linhas regida pelo mistério Yemanjá logo, uma de minhas atribuições é estimular a geração nos sete sentidos da Criação Divina
Após responder esta ultima pergunta ela ficou fixamente olhando em meus olhos sem dizer absolutamente nada. Somente após um breve período foi que ela retomou o assunto:
— Moço está quase na minha hora e desejo ouvir de ti uma última pergunta antes de ir embora.
Fiz então a pergunta derradeira:
— Eu gostaria de saber por que até o momento que a senhora atendia a sétima pessoa eu via claramente que estava em uma encruzilhada ao passo que após o instante que você deu a sétima gargalhada eu, apesar de ver fisicamente que estou na encruzilhada, de alguma forma sinto como se não estivesse, por quê?
— Bem moço, eu só posso lhe dizer que antes do fim do atendimento da sétima pessoa nós estávamos na encruzilhada, que é meu ponto de atuação aí na terra, sem que eu precisasse sair de meu campo de atuação aqui no astral; após o término deste atendimento eu te trouxe no meu campo de atuação aqui no astral sem você precisar sair de meu campo de atuação no lado material.
Eu ia dizer a ela que não havia entendido a resposta, mas ela, parecendo estar novamente lendo meus pensamentos, ainda pôde me dizer.
— Sei que você não captou de forma global o que eu lhe respondi, moço. Mas não se preocupe com isso por que não vou ter nem mesmo a oportunidade de lhe responder. Só te peço um último favor: diga a quantos forem preciso que eu sou uma Pomba-gira da vida. Sim, diga a todos que eu existo! Existo para estimular, de acordo com a vontade do Divino Criador, em todos os seres necessitados a geração de energias que beneficiem os sete sentidos da criação divina. Diga a todos que quando de mim precisarem é só me evocarem que eu , de acordo com a permissão do Divino Criador, estarei em Seu santo nome e em nome da divina mãe Yemanjá a estimular a geração de conhecimento,justiça,lei,amor,fé,vida e evolução na vida e no lar de todos quantos a mim clamarem.Você pode fazer isso ?
— Sim!
— Boa noite, moço.
— Boa noite dona.....
Por Pedro Rangel

Mulher Invisível

Mensagem da Sra. Pomba-Gira Sete Rosas 

Maria era possuidora de uma beleza raríssima, sendo provavelmente um dos mais belos seres humanos já criados por Deus.
Ela caminhava a passos rápidos por uma das ruas que margeavam a beira-mar na bela cidade de Vitória.
Já era noitinha e ela precisava retornar ao lar para tomar um bom banho antes de ir para a faculdade.
Chegando às proximidades do portão de entrada da sua residência Maria avistou uma senhora maltrapilha e com vestes mal cheirosas. Esta senhora aproximou-se dela e pediu um trocado para inteirar um valor a fim de comprar uma passagem de volta ao seu lugar de origem.
Maria então retirou do bolso uma nota em dinheiro e entregou à senhora, sendo agradecida por esta de maneira bastante calorosa.
Algumas horas depois Maria já estava retornando com o seu automóvel da faculdade para a casa quando, em um destes semáforos da vida, um homem apareceu à janela do seu veiculo pedindo dinheiro para se alimentar com alguma coisa.
Ela, assim, olhou para o lanche que havia comprado na cantina da faculdade e depositado no banco do carona e, sem pensar duas vezes, entregou-o ao homem dizendo:
— Dinheiro eu não tenho, mas o senhor aceita este lanche?
— Mas é claro dona, quem tá com fome não escolhe o que comer!!! Muito obrigado!!! Obrigado mesmo!!!
O sinal de trânsito abriu e Maria tornou a guiar o carro em direção a sua residência.
Chegando ao seu local de destino ela fez um mexido com as sobras do almoço, tomou uma ducha e foi dormir.
Maria dormiu e seu espírito desprendeu-se do invólucro carnal. Quem pudesse ver a sua fisionomia aparentando serenidade no corpo carnal não conseguiria acreditar que, em espírito, ela pudesse estar tão transtornada.
Maria chorava e chorava muito, chorava tanto que chegava a soluçar. Sentindo uma angústia terrível em seu intimo ela se pos a correr ritmadamente como se estivesse correndo em um calçadão a beira-mar.
Maria corria, corria e corria, mas alguma coisa estranha acontecia por que ela não conseguia se cansar e nem suar: o único líquido que escorria do seu corpo eram as lágrimas que desciam sem cessar dos canais lacrimais pertencentes aos seus belíssimos olhos azuis.
Maria não estava cansada de correr, mas estava cansada de chorar e talvez tenha sido justamente por isto que ela estancou os seus passos nas proximidades de uma encruzilhada.
As lagrimas ainda deslizavam desenfreadamente dos seus olhos quando ela avistou uma mulher ao longe que caminhava em sua direção. Maria achou curioso, mas a medida que a mulher se aproximava, as lágrimas começavam a diminuir dos seus próprios olhos na mesma proporção.
Quando estava a uma distância de três passos de Maria a mulher em questão perguntou a ela:
— Boa noite moça! Tudo bem?
Maria não soube o que responder, mas demonstrando honestidade, disse:
— Mais ou menos.
— É difícil ser invisível, não é?
— Você me desculpe discordar, mas penso que, talvez infelizmente, eu seja visível de uma maneira até exacerbada!!!
— A invisibilidade a tem feito sofrer bastante. No corpo de carne você até que consegue disfarçar bastante o seu sofrer, mas aqui neste plano o espírito não consegue usar máscaras de forma alguma.
— Máscara? Desculpe, mas não entendo nada do que você está me dizendo!
— Quando a mulher tem uma excessiva beleza física, como é o seu caso, é difícil fazer-se visível, não é verdade?
— Como assim?
— Os homens, que vivem no seu mundo cada vez mais materializado, não conseguem vê-la por que têm, de forma geral, os seus olhares fixos nos seus atributos físicos como se visibilidade fosse essencialmente questão de fartura de carnes bem distribuída ao longo da estrutura corpórea.
—Já as mulheres, geralmente, devido à intensa competitividade, não conseguem lhe ver como você realmente é pela excessiva fixação na sua beleza externa, fixação esta que por muitas vezes chega a ser maldosamente invejosa.
— Entendo o que você me diz.
— As belas mulheres geralmente têm que fazer um esforço terrível para que possam ser vistas pelos homens não por aquilo que têm como atributo físico, mas por aquilo que realmente são: simples, verdadeira e poderosamente mulheres.
Maria sentiu o coração bater descompassadamente quando ouviu aquelas palavras que tanto falavam verdadeiramente do que ia em seu intimo e procurou chorar, mas as lágrimas não vieram.
— Não adianta tentar produzir lágrimas dos seus olhos moça.
— Por que não?
— Por que a produção destas está momentaneamente desestimulada por mim.
— Isto que você me diz é estranho! Como assim?
— Estou aqui para estimular sua razão por meio da renovação de suas emoções.
— Desculpe, mas por quê?
— Para que os seus níveis de razão possam ficar equiparados aos níveis de emoção ou não é verdade que você está com o emocional instável?
— É verdade sim!
— Esta invisibilidade está ficando perigosa.
— Perigosa?
— Sim, Ela a está restringindo do seu convívio social, por que você não sabe se as pessoas se aproximam de você pelo seu interior ou pelo seu exterior.
— Eu só tenho atraído pessoas desagradáveis para a minha vida.
— Ultimamente você tem até mesmo considerado sua beleza física como uma maldição a cada vez que se olha no espelho.
— É verdade.
— A beleza é algo lindo de se ver, mas para se enxergá-la verdadeiramente é muito importante a religiosidade.
— Então quer dizer que terei de esperar que a religiosidade dos outros seja despertada afim de que, assim, eles vejam a mim verdadeiramente?
— Não, você terá somente que despertar a sua própria religiosidade.
— O despertar da religiosidade em mim fará com que os outros me vejam como sou? Não vejo como isso possa ser possível!!
— Eu sei que você conhece o significado do termo religião.
— Sei sim. Significa religar, tem a função de ligar o ser humano a Deus.
— Você sabe como o ser humano pode realizar este religar?
— Freqüentando uma religião?
— Não necessariamente.
— Então como?
— Amando ao Divino Criador acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
— Fazendo isto eu deixarei de ser invisível aos olhos de todos?
— Você não é invisível aos olhos de Deus, mas a realização destas ações dará a você visibilidade aos olhos do próximo.
— Você me desculpe, mas será?
— Você quer mesmo descobrir?
— Com toda a certeza do meu coração!
— Eu lhe disse que desestimulei a produção de suas lágrimas, certo?
— Certo.
— Disse também que, aqui neste plano, a produção de lágrimas por suas glândulas está exacerbada por conta do desequilíbrio emocional dentro de ti que, por sua vez, é conseqüência de sua condição de invisibilidade aos olhos do próximo, correto?
— Correto.
— Então agora pedirei forças ao Divino Criador para fazer com que sua condição lacrimal volte a ficar como antes.
Assim, lagrimas incontidas, caudalosas e incessantes voltaram a brotar dos belíssimos olhos de Maria.
— Suas lágrimas estão rolando Maria; será que gestos caridosos podem fazer com que este fluxo lacrimal diminua? Se você quer de fato descobrir, então feche os olhos.
Maria obedeceu prontamente.
— Colocarei minha destra em sua fronte para permitir que você veja, com os olhos espirituais, os efeitos balsamizantes dos gestos de amor ao próximo.
E foi assim que Maria pôde ver o que pensou e sentiu tanto a senhora maltrapilha que estava de frente ao portão de sua casa quando recebeu um apoio financeiro para viajar, quanto o homem que dela recebeu um lanche saborosíssimo para aplacar sua fome.
Eram sentimentos de uma pungente gratidão associada à beleza física de Maria: “ Meu Deus o senhor fez este anjo tão lindo de sua criação de forma perfeita, por que se ela é linda por fora, também é belíssima por dentro!!! Obrigado por sua bondade meu Deus!!! Guie os passos desta moça pelos caminhos da bondade onde quer que ela vá!!!”
A moça tirou a mão direita da testa de Maria e as visões cessaram com este gesto; Maria então abriu os olhos e, surpresa, descobriu que as lágrimas haviam cessado de seus olhos. A moça, então, disse a ela:
— E então, você foi invisível aos olhos destas duas pessoas que a misericórdia divina lhe permitiu auxiliar?
— Não, de forma alguma!
— Reconhecer-se como verdadeiramente visível aos olhos do próximo, mostrando sua beleza interior, trouxe paz ao seu emocional e fez com que as lágrimas cessassem.
— É verdade, mas eu não precisei estar como membro de nenhuma religião para poder praticar tais gestos.
— E, como lhe disse antes, isto não é obrigatório.
— Por quê?
— Por que pertencer a alguma religião não faz necessariamente com que um ser humano ame ao próximo como a si mesmo, pois é a essência divina dentro dele que faz com que este gesto seja possível; entretanto, à medida que esta essência vai se ligando mais fortemente ao Divino Criador este gesto vai sendo cada vez mais praticado de forma natural como, aliás, deve realmente ser praticado. A religião torna a religiosidade mais prática e funcional.
— Prática e funcional?
— Sim! Você dedica um tempo da sua vida para dormir e se alimentar?
— Sim!
— Para higiene, estudo e lazer?
— Sim!
— E para realizar gestos sistemáticos que demonstre o seu amor a Deus e ao próximo?
— Agora entendi o que você quer me dizer.
— A religiosidade não está somente dentro de uma casa de religião, mas esta ajuda a desenvolver aquela de maneira impar.
— Entendo.
— Buscando desenvolver sua religiosidade você ganhará a visibilidade que traz paz e reconforto, atraindo para si pessoas que possam vê-la como verdadeiramente é.
— Entendo.
— E é assim, de caridade em caridade, que você há de encontrar, quando for da sua hora e merecimento, homens que a verão essencialmente com os olhos do espírito, com a visão do genuíno amor.
— Nossa você me emociona falando assim!
— Procure ao senhor teu Deus e a Sua obra que todas as demais coisas vos serão acrescentadas.
— Puxa, mas você fala desta questão da invisibilidade feminina com tanta propriedade que me faz até pensar se você também não é uma mulher invisível!!!
— Sim moça! Eu, assim como você, também sou uma mulher invisível.
— Olha, em termos de beleza física, eu sinceramente não sou nada perto de você: a tua cintura consegue ser mais afinada que a minha: teus cabelos negro, sedosos, ondulados fazem com que eu me sinta calva; tuas roupas são de uma beleza que nunca pude encontrar em minha vida e o seu rosto, com destaque para teus olhos fascinantes, misteriosos, e insondáveis, parece que foi minuciosamente criado por Deus.
Será que eu poderia saber o que há para ser trabalhado dentro de ti para que o ser humano possa enxergá-la verdadeiramente?
— Olha moça perfeito mesmo só Deus, mas não é por nenhuma imperfeição minha que grande parte dos seres humanos não me vê como realmente sou.
— Verdade?
— Certamente.
— Então isto se dá assim por quê?
— Primeiramente por que cada um só dá do que tem para oferecer.
— Como assim? Do que você está falando?
— Dos sentimentos das pessoas que vivem a atacar a religião que servimos e a nós por meio do desconhecimento, despropósito e desrespeito.
— Verdade?
— Sim. Muitos dizem que somos mulher de sete maridos, que servimos para desfazer matrimônios, promover adultérios, induzir a prostituição, amarrar sexualmente uma pessoa a outra e muitas outras barbaridades que prefiro nem falar!
— Credo, mas isso é muito triste!!!
— Não moça, triste mesmo é ver centenas e centenas de pessoas que se dizem pertencentes à religião que servimos falarem, elas próprias, que fazemos tudo isto que a Lei Maior, a Justiça Divina, nosso estado consciencial e evolução espiritual não nos permitem realizar.
— Todos os conselhos, assertivas e apontamentos que ouvi de ti esta noite fazem com que eu tenha a plena convicção de que você não faz nada destes absurdos que lhe querem atribuir.
— Fico integralmente feliz e satisfeita moça!
— E eu poderia saber o por quê?
— Por você ser mais um espírito esclarecido e menos ignorante sobre nossas atribuições que são essencialmente estimuladoras não do ódio, da separação e da discórdia, mas da renovação de todo sentimento de amor virtuoso aos olhos do Divino Criador.
— Puxa, você me auxiliou tanto consciencialmente para que eu venha a sair da minha condição de invisibilidade que eu gostaria de poder fazer o mesmo por você! Teria como?
— Certamente.
— Verdade? E o que eu poderia fazer?
— Fale sempre o que você escutou sobre nós a toda pessoa que se mostrar aberta a nos conhecer como realmente somos.
— Por que você vem falando tanto em “nós”, se eu só estou vendo você!
— Você só vê a mim, mas saiba que represento uma coletividade!
— Mas eu poderia saber quem é você?
— Na religião que servimos, a Umbanda, não existe o “eu”, então eu só posso falar de nós: Nós somos uma parte da luz de Deus que ilumina as trevas, somos a sexualidade divinamente aplicada, somos mantenedoras do relacionamento sexual sadio e fraterno, nós somos amor, somos mulher, somos pomba-giras.

Mensagem recebida por Pedro Rangel

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